O negócio se concentrará em eletrodomésticos e bens duráveis, envolvendo também o Ponto Frio (adquirido pelo Pão de Açúcar) e Extra Eletro, unidade do grupo.
A nova empresa tem previsão de R$ 18,5 bilhões de faturamento bruto anual e de 68 mil funcionários. A parte de supermercados e hipermercados do Pão de Açúcar não entra no negócio.
A expectativa é de que a associação gere sinergias da ordem de R$ 2 bilhões. Trata-se da segunda aposta do Pão de Açúcar neste ano para expansão no segmento não-alimentício, depois da compra do Ponto Frio em junho por R$ 1,2 bilhão em dinheiro e ações.
O grupo do empresário Abílio Diniz terá participação majoritária no capital votante e total da Globex, sendo titular de 50% das ações ordinárias (com direito a voto) mais uma ação.
Já as Casas Bahia terão 47,8429% das ações ordinárias e 2,2186% das preferenciais, as quais serão conversíveis em ordinárias ou resgatáveis, conforme resultado da Oferta Pública de Aquisição (OPA) que o Pão de Açúcar fará como parte da compra da Globex – negócio fechado em junho.
A intenção das empresas é que as Casas Bahia atinja participação de 49% no capital votante da Globex. A transação deve ser concluída em até 120 dias.
– Foi uma oportunidade de sinergias e busca de eficiência. Nossa intenção é ocupar não só todos os estados, como também todos os municípios – disse Diniz.
Segundo o empresário, o anúncio da compra das Casas Bahia seria feito na semana que vem, mas foi antecipado devido a questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a oscilação das ações da Globex no pregão de quinta-feira, quando dispararam cerca de 35%.
Levando em conta todas as empresas que compõem o grupo Pão de Açúcar, após a fusão, incluindo a área de hipermercados e supermercados, postos de combustíveis e drogarias, o faturamento bruto vai chegar a R$ 40 bilhões depois da transação, com 1.807 lojas e 137 mil funcionários.
A aprovação do negócio ainda depende de análise da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda e da Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça. Cada uma dessas secretarias tem 30 dias úteis para avaliar a situação e verificar se resulta em concorrência desleal em relação às demais empresas atuantes no mesmo setor.
Diniz disse não esperar restrições do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pelo fato de o grupo não possuir participação expressiva no varejo de bens duráveis.
– Temos participação de menos de 20%. Estamos falando de um mercado com 20 mil lojas e nós temos 1 mil – afirmou o executivo do Pão de Açúcar.
Pelos termos do negócio, o Pão de Açúcar deverá transferir para a Globex, pelo valor de R$ 120 milhões, todos os estabelecimentos comerciais onde atualmente são operados negócios de varejo de bens duráveis (lojas Extra Eletro). A empresa combinada nasce com pouco mais de mil lojas, em 337 municípios de 18 estados brasileiros.
A união de Pão de Açúcar e Casas Bahia no setor de bens duráveis reforçará o poder de compra do grupo de Abílio Diniz em um momento em que as vendas no varejo mostram forte crescimento e em que a companhia busca impulsionar suas operações com outros produtos. As ações do Pão de Açúcar fecharam sexta-feira com um salto de 9,73%, a R$ 62,49. Os papéis da Globex subiram 28,36%, para R$ 18,60.
Com agências
Maior poder de negociação com fabricantes
Gisela Magalhães
Diretor-executivo das Casas Bahia, Michael Klein disse que a sociedade vai unificar as três marcas em uma empresa, unificando salários, comissões e treinamentos de funcionários. A nova gigante do varejo, ainda sem nome definido, terá maior poder de negociação junto aos fabricantes, o que, segundo Klein, deve garantir melhores preços ao consumidor. “Será tudo unificado, desde as compras com os fornecedores até o caminhão de entrega”, destacou Klein, durante a inauguração do feirão das Casas Bahia, no Riocentro.
O executivo disse também que a antecipação do anúncio da sociedade ocorreu devido à valorização dos papéis da Globex. “Quanto ao vazamento da informação, cabe à Bovespa investigar”, ressaltou.
– A forma de atuação das marcas será igual a das Casas Bahia. O controle e a administração das nossas lojas vão continuar com a família Klein, porém, agora vamos abraçar todas as classes, com a oferta de mais produtos – explica.
Neste primeiro momento, as três marcas vão funcionar normalmente. “Vamos realizar uma pesquisa para avaliar qual será mais apropriada em determinado local”.
Conforme dados de 2008 da Associação Brasileira de Supermecardos (Abras), o Pão de Açúcar terá faturamento semelhante ao do Carrefour, segundo maior varejista do País (R$ 22,5 bilhões), e Wal-Mart (R$ 16,9) juntos. Tirando os líderes, de acordo com o ranking da Abras, o faturamento da nova empresa será quase equivalente ao faturamento somado das outras 20 maiores empresas supermercadistas do Brasil.
O economista Silvio Laban, professor do Insper, ressaltou o distanciamento entre o líder do setor, Pão de Açúcar e o vice-líder, Carrefour, sustentando que a operação coloca o grupo em novo patamar. Além disto, o Pão de Açúcar, que tradicionalmente atua no comércio de alimentos, alavancará sua participação na venda de eletroeletrônicos e móveis.
No feirão das Casas Bahia, a jornalista Daniela Sá aproveitou preços para comprar o que faltava para se mudar. “Vou usar o 13º salário para tentar descontos à vista na compra de um laptop.”

